Benfica na Europa ganhou sem jogar muito.
O Benfica não foi extraordinário. Goleou e tendo em conta a disparidade na qualidade e experiência futebolistica, era exactamente isso que lhe era pedido. No entanto como todos sabemos, e ainda bem que assim é, o futebol não é uma ciência. O Poltava mostrou-se uma equipa extremamente defensiva e bastante esclarecida a atacar, apesar de raramente o ter feito, fruto da pressão alta exercida pelos jogadores Benfiquistas.
Notou-se mais uma vez que o Benfica poderá ter um (pelo menos) real problema para esta época que é a notória falta de alternativas no sistema de jogo. Jesus quer a equipa a jogar o futebol rápido com combinações várias entre os mais variados elementos de meio campo e ataque. No entanto, se o adversário concentra praticamente toda a equipa no seu meio campo, torna-se bastante complicado encontrar espaços, fazendo com que a linha defensiva veja mais bola do que aquela que queria e do que aquela com a qual parece estar confortável a ter no pé. Conclusão, foi um desastre ver Luizão e David Luiz, principalmente este último, a tentarem o passe longo para terra de ninguém ou de ninguém da sua própria equipa que tivesse capacidade de efectivamente discutir lançes aéreos com os ucranianos.
No entanto, com alguma insistência e por vezes bom futebol, encontraram-se espaços e fez-se aquele tipo de jogo que foi responsável pela tal euforia na pré-epoca. E se realmente no campeonato português há que competir contra equipas extremamente defensivas e com propensão para o anti-jogo, nesta partida felizmente tiveram apenas de combater a primeira dificuldade. E como esta equipa do Poltava não é grande espingarda, de tempo a tempo foram permitindo algumas entradas por parte dos jogadores encarnados.
Benfica em Guimarães ganhou mas pouco fez para tal.
Frente ao Guimarães a história foi um pouco diferente. A equipa de Nelo Vingada foi uma equipa fraca em termos de futebol e forte em termos de anti-jogo. E quando assim é torna-se complicado conquistar grandes coisas.
Num festival de faltas inexistentes assinaladas contra ambas as equipas, houve pouco a retirar de bom.
O Guimarães por exemplo, não quis jogar futebol. Praticamente todos os seus jogadores arrancaram pelo menos uma falta a Pedro Proença. Nuno Assis foi para mim a maior decepção, um jogador com inquestionável qualidade técnica e parecendo ser um jogador inteligente, passou o jogo deslumbrado consigo mesmo ao invés de puxar pela equipa e realmente fazê-la jogar. Caso o tivesse feito, parece-me que o Guimarães podia ter ido bem mais longe. No entanto, Nelo Vingada parecia mais do que feliz com as ocorrências no relvado portanto quanto a ele, a equipa jogou perfeitamente.
Pedro Proença teve uma noite completamente normal de acordo com os padrões de arbitragem portuguesa. Ou seja, um jogador sofre o minimo contacto, cai e quase sempre é falta. Um jogador cai e rebola (com a adição de reclamações dos jogadores da mesma equipa e adeptos) e é falta com direito a cartão. Jogadores insultam o árbitro na cara deste e nada acontece. Tudo dentro da normalidade. O penalty foi um clarissimo erro mas de Flávio Meireles que com certeza teve uma branca naquele momento e a falta para o livre que deu o golo enquadra-se perfeitamente no critério usado para o resto do jogo.
No entanto os seus colegas tiveram um jogo desastroso. Pelo menos um fora de jogo mal assinalado, outro por assinalar e vários erros no campo do canto/pontapé de baliza.
E o Benfica não fica isento de culpas. No geral, foi um susto de jogo a fazer lembrar as últimas épocas. A pressão alta desapareceu por completo. A equipa parecia estar completamente partida, sem ligação entre sectores. E os jogadores de meio campo pareciam estátuas. Ficava tudo preso às alas e depois era Aimar no centro sem se mexer enquanto os avançados ficavam a ver navios na frente. Onde ficou a rotatividade? Onde ficou a constante procura de espaços para poder dar linhas de passe à defensiva? Parecia o mesmo Benfica dos últimos anos, sem imaginação, sem visão periférica. Jogadores a olharem só para a frente, por um canudo, sem noção do que se passava no resto do campo.
No entanto, o que interessa nesta fase do campeonato, é a conquista dos 3 pontos. Até porque a fé na equipa e treinador continuam. Jesus que aliás me deu mais alguns motivos para gostar dele, mostrando não ter problema nenhum em substituir fosse quem fosse, colocando sempre os interesses da equipa em primeiro lugar. Aimar, Di Maria e Saviola foram nulidades em campo e felizmente dois deles foram substituidos bem a tempo, independentemente de Keirrison não estar ainda minimamente adaptado.
Em termos de prestações individuais, Javi Garcia está claramente a tornar-se no patrão da equipa da Luz, sempre ele a fechar a loja à hora certa.
Fábio Coentrão está a começar a mostrar a qualidade que já há muito lhe tinha sido atribuida. Parece-me que debaixo da alçada de um treinador tão exigente como Jesus, muito possa ser aproveitado com este jogador.
Weldon tem feito aquilo que se pede a um ponta de lança. Tem mostrado alguns pormenores bastante interessantes mas ainda serão necessários muitos mais testes e com mais tempo de jogo para se poder afirmar que é um jogador à altura da responsabilidade tremenda de facturar por um clube como o Benfica.
David Luiz está a estragar-se e parece-me que é excesso de confiança. Ele é dos que mais me irrita no decorrer de 90 minutos e isto porque ele mostra ter um potencial enorme e no entanto tem estado tão mal. Em termos tácticos já o tinha referido, é uma nódoa. Não percebe a movimentação em bloco dos seus colegas da defesa. E em termos ofensivos, é passe errado atrás de passe errado e muitas vezes precedido de uma boa tirada defensiva. Parece-me ser total displiscência por parte do jovem brasileiro.
Di Maria, depois de uma pré época inspirante, parece voltar a ser apenas potencial não confirmado. Dá-me a entender que o esquerdino argentino ainda não encontrou modo de se adaptar ao futebol português, onde ele não tem todo o espaço que gosta de ter para poder seguir de bola no pé em corrida desenfreada. No entanto, caso o Benfica consiga desenvolver o estilo de futebol que Jesus tanto parece apreciar, talvez Angel consiga encontrar nesse modelo de jogo, um modo de poder também aprimorar o seu próprio estilo dentro da realidade que é o futebol em Portugal.
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